domingo, 22 de junho de 2008

Permanece


Quando encaro esse olhar eu vejo o que ainda permaneceu.
Permanece a intimidade ao lidar com as velhas fotos, percebendo a linha tênue do tempo que passou, arruinando todas as minhas essências...esse tempo que deixou o coração descompassado, o choro não derramado e o espirito alucinado. Permanece, ecoando em minha mente, toda palavra morta pelo medo de se fazer pronunciar...Ah, dentro de mim, ficam guardadas as lembranças pequenas, infimas, inexplicavelmente vivas e infinitamente intensas que fazem doer, rolando num moinho dos pensamentos que permanecem em repouso. No fundo, são apenas lembranças debulhando, suposições estourando e saudades emanando. Ficou comigo o medo de encarar olhos nos olhos. Uma verdadeira temerosidade, um silêncio grave que se aparta no ar. Restou essa paciência de admirar o passado, de lamentar o presente e desconhecer o próprio futuro. Resta apenas a vontade de reencontrar o próprio sorriso. Permanece o aprendizado da vida com as poesias que não rimaram e com os versos que não agradaram. Resta esse encarar sempre o infinito, mirando mas sem nada enxergar. Tudo se resume a um olhar admirando o outono que não vai terminar. As nuvens escuras que planam nos céus agora me fazem lembrar que resta este coração de pedra que traduz o medo de que pra sempre tudo, entre eu e esse enorme mundo, permaneça inacabado como um "resto", vivo porém incompleto, agonizando porém sempre permanecendo.

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