domingo, 22 de junho de 2008

O telefone


Sentado nessa cadeira, eu me encontro perdendo o tempo que não tenho esperando uma ligação. Lembro-me das noites em que esperei o telefone tocar. E sempre que ouvia um ruído qualquer , meu coração ruminava falsas esperanças. Não invejo os telefones que tocam, admiro. E espero anciosamente a minha vez ao lado da escrivaninha onde repousa o telefone branco da minha sala de estar.
- Estará quebrado? - Perguntei-me mais uma vez, naquele dia.
Conferi pelo oitava vez. O telefone estava bom. Tenho sede. Mas só de pensar que alguém pode ligar, meu coração bate um pouco mais forte, descompassado mas bate. Eu sei que apenas uma escapadinha só para fazer xixi, poderia ser o fim. Poderiam estar com pressa e a desistência não tardaria. Me convenço de que é melhor esperar mais um pouco...dez minutos, só mais dez minutinhos. Mais dez minutos, mais dez horas, mais dez dias...dez anos? Minhas roupas ficaram sujas aos poucos, meu rosto? Pálido no espelho, a barba está realmente por fazer, mas ficarei aqui até o chamado chegar! Caindo dentro do meu próprio sonho, enxergo meus pulmões se moverem cada vez mais lentamente, mas não me importo tanto. Me convenci de que não sinto fome e tento como nunca me desvencilhar da sede. O silêncio atormenta, é verdade, mas eu driblo o tempo cantando algumas canções como minha mãe fazia para acalentar o meu sono. Inspirar uma vez mais, entre tudo isso, é a parte fácil. Eu permaeço aqui, porque sei que o telefone irá tocar...em breve, ele irá tocar.

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