26 de julho de 2006
A beira da praia, repousavam três amigos aquecidos por uma fogueira improvisada. Ted, Alice e Roberto brindavam o futuro sob a luz das estrelas e ao ruído gostoso da brisa do mar soprando fininho nos ouvidos... Risos e gargalhadas permearam aquele que foi o melhor fim de semana de suas vidas. Cheio de muita alegria e brilho do sol refletido no mar e no olhar. Um lugar deserto, uma mesinha montável e a certeza de que quanto menor e mais apertada se mostrava a barraquinha onde estavam hospedados maior e mais perfeito ficava aquele lugar.
Sem televisão, rádio ou qualquer aparelho que os antenasse com o mundo lá fora, eram só Ted, Alice e Roberto.
Agora, a noite caía aos poucos. Trazia consigo o aconchego e a certeza de que no escuro todos eram iguais. Assim, os segredos vinham a tona. Não era preciso entorpecentes ou bebidas para que a verdade se revelasse naquela mesa. Ela simplesmente aparecia e resplandecia entre olhares firmes e atentos a tudo. A verdade se revelava em forma de lágrimas, sorrisos aflitos e sobretudo um reconforto, fazendo renascer a esperança dentro de cada um na certeza de confiar em alguém nesse mundo imenso.
Depois de tantas revelações, Ted resolve quebrar o silêncio:
- E então? O que vai ser daqui pra frente? Amanhã voltaremos pra casa...
- Amanhã, eu vou...ah, sei lá, o que eu vou fazer amanhã...
- Eu não sei também. Acho que vou fazer meu cabelo...
Aos pouquinhos, os velhos hábitos voltavam. Aos poucos a sintonia ia embora... O prazer momentâneo de estar com os amigos estava sendo tragado pela lembrança dos compromissos que cercavam a vida de todos. Aos poucos, as estrelas seriam as únicas testemunhas do que acontecera ali. Estavam sós, eternamente sós e presos á realidade de que tudo é finito. Sobretudo, as velhas amizades.Em breve, seria como nada daquilo tivesse acontecido. Triste, não?
E mesmo que cada um tenha revelado um pouco de si ao outro, as verdades íntimas que jorraram naqueles três dias não serviriam de elo entre eles por conta da corrosão causada pelo desleixo deles com eles mesmos. Ah, como seria se os amigos soubessem que a vida impõe o término de tudo? Viveriamos mais as amizades? A lua já se apresentava imponente, era chegada a noite e ao fim dela os segredos que deveriam ser o ponto de contato eterno entre os jovens não mais seriam que meras confissões de adolescentes num fim de semana qualquer...
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