domingo, 9 de novembro de 2008


- Por favor, o senhor pode dirigir-se até o próximo balcão. Estaremos redirecionandos os seus dados para o atendente responsável pelo seu requerimento, senhor. Sua senha é 299831
- Mas esse já o terceiro guichê que...
Seu Zé foi interrompido por uma estilhaçar de janelas; era o prenúncio de assalto.
- Bora, bora! Todo mundo no chão!!!
Seu Zé, ainda de pé dizia:
- Ô meu filho, minha artrose tá me matando hoje...
Ignorando o senhor biruta que falava, o assaltante continuou anunciando:
- È véspera de natal. Contribuam com os celulares e com a grana pro papai Noel aqui. - falava o assaltante entre frouxos de riso.
- E o senhor aproveita que já tá em pé e vai passando a graninha aí. - completou o seu comparsa, referindo-se á seu Zé.
- Como é que é meu filho? - perguntou seu Zé.
- Passa a grana, coroa. Tá surdo?
Seu Zé estava entre risos e gargalhadas...
- Qual é tiozão? Tá curtindo com minha cara? Passa a grana, porra!
- Ô meu filho, não me leve a mal não viu? Vou indo...
E entre passos firmes em meio de corpos trêmulos no chão, Zé deixou o banco com o seu salário de míseros 200 reais. Os assaltantes incrédulos nada falaram com seu Zé, que atrasado para o trabalho saiu a passos largos. Intacto, ileso ele fugia daquela situação. Enquanto pensava nos assaltantes que vieram com aquela conversa ridícula de "Isso é um asssalto" . Faça-me o favor...que piada! Acho que hoje 200 reais não dá nem pra comprar um perdão de alguém? Dá? - resmungava o velho senhor a caminho da fábrica onde trabalhava.
Uma vez em segurança, ele ligou para a polícia
- Alô...
- Pois não
- Está tendo um assalto no banco da Avenida Central. Eu consegui sair de lá agora.
- O senhor está bem? Não está machucado? Há reféns?
- Eu estou bem. Há cerca de vinte pessoas lá.
- Pois bem. E quanto roubaram do senhor?
- Nada. Eu saí de lá sem que me roubassem.
Risos...
- Não levaram nada, cara?!
- Hum...não!

- O senhor levava algum dinheiro na carteira?

- Uns 200 reais.
- Vá procurar o que fazer,seu velho safado. Hora de parar de passar trote pra polícia e crescer não? - finalizou o policial do outro lado da linha enquanto ria daquele trote.
- Mais uma vitima da piada que é o mundo contemporâneo. Esses caras não crescem nunca que o tempo passa?
Seu Zé, sem entender muita coisa, colocou o telefone no gancho e foi para a fábrica pra mais um dia de trabalho.....



Um comentário:

Anônimo disse...

As peripércias do mundo cotidiano andam tirando as nossas vidas!
E 120 reais não dá nem pra reformar a casa pro Natal... =/